Sebrae apresentaMaranhao na tela



Longas inéditos invadem o Maranhão na Tela 2008

LONGAS INÉDITOS INVADEM O MARANHÃO NA TELA 2008

 

Assim como no ano passado, a segunda edição do Maranhão na Tela traz novamente mais longas-metragens brasileiros que, além da inegável qualidade, são todos inéditos no Estado. Eis então oportunidade única do espectador maranhense conferir o que há de melhor sendo feito no Brasil, com filmes rodados em Porto Alegre, Recife, Curitiba, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, escolhidos a dedo nessa curadoria especial.

 

Na abertura de cada longa, um curto documentário da série “Essa é Minha Cultura”, sempre sobre um importante personagem da cultura maranhense. Os vídeos foram realizado pelos alunos da oficina desenvolvida pelo projeto em outubro.

 

 

 

AINDA ORANGOTANGOS

De Gustavo Spolidoro

Sem exagero algum, este filme é um marco na cinematografia nacional. Não só por seus dotes artísticos, como por uma característica muito específica: “Ainda Orangotangos” é o primeiro longa-metragem brasileiro totalmente feito em plano-seqüência. Explicando melhor: as histórias (que são várias, pois é uma adaptação do livro de contos homônimo de Paulo Scott) foram totalmente filmadas de uma só vez, sem nenhum corte. Ou seja, mais de 80 minutos direto, o tempo todo com a câmera ligada. Se isto já é um desafio em si – ou seja, qualquer coisa que desande nos 44 minutos do segundo tempo pode arruinar tudo – Gustavo Spolidoro não teve qualquer tipo de “preguiça” e complicou o máximo que podia. Para se ter uma idéia, a câmera não fica parada quase nunca e transita por quase toda Porto Alegre, acompanhando os diversos personagens em passagens sutis e bem sacadas. Assista e fique intrigado.

 

 

ALMA SUBURBANA

De Hugo Labanca

Em menos de um ano, “Alma Suburbana” já foi visto por aproximadamente em 1.500 pessoas, entre exibições independentes e festivais. Em seus 75 minutos, o filme mostra o subúrbio carioca e a sua cultura vistos por moradores e conhecedores da região, seu modo de vida e características particulares como a alegria, a espontaneidade e a cultura como uma das saídas encontradas para a falta de olhar do poder público. O filme, que chamou a atenção no festival Cine-Cufa deste ano, conta com participações do cantor e compositor Luiz Carlos da Vila, Tico Santa Cruz e Marcelo Yuka.

 

 

AMIGOS DE RISCO

De Daniel Bandeira

Eis aqui um filme realmente feito na raça. Em todos os sentidos. O pernambucano Daniel Bandeira cismou porque cismou de fazer seu primeiro longa de qualquer maneira e foi adiante. Deu certo. Apesar de muito trabalho, “Amigos de Risco” é um filmaço que pode incomodar qualquer espectador, principalmente por quem já passou por uma experiência parecida a qual os personagens enfrentam na tela. A história é simples: numa noitada mal-sucedida de um grupo de marmanjos, um dos caras tem uma overdose. Resta os sóbrios terem que levá-lo pro primeiro hospital que achassem, mesmo com seus parcos recursos financeiros. Apesar da aparente simplicidade da narrativa, o cineasta segura a onda com todos os dentes, filmando em locações verdadeiras (e consideradas perigosas) de noite e na cara dura. Confiram o resultado!

 

 

BELOWARS

De Paulo Munhoz

Depois de divertir as platéias maranhenses no Maranhão na Tela do ano passado com o seu longa anterior, “Brichos”, o intrépido animador paranaense Paulo Munhoz concluiu outro desafio. “Belowars” é um épico em animação digital que mostra os dramas e aventuras vividos por Baita, um humilde garoto do campo, em busca do sonho de aprender a “arte da guerra”. Ao longo de toda a sua vida, o desafio leva Baita a muitos lugares, ao encontro de muitas pessoas, ao enfrentamento de sua guerra interior. O filme, todo falado em uma língua imaginária, é uma livre adaptação do livro infanto-juvenil “Guerra dentro da gente”, do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989), e foi selecionado para o 5th China Internacional Animation and Digital Arts Festival.

 

 

CRÍTICO

De Kleber Mendonça Filho

“Crítico” é o tipo do filme em que o espectador sai do cinema e se pergunta: “Porque não fizeram isto antes?”. Afinal, trata-se de uma idéia muito simples, porém de difícil realização: fazer toda uma reflexão sobre o próprio cinema a partir da opinião de críticos e cineastas. Tarefa complicada, porém não impossível, feita pela pessoa certa: há um tempo, Kleber Mendonça Filho é um dos mais premiados curta-metragistas do Brasil e, mesmo antes disso, já tinha destaque como crítico de cinema no Jornal do Commércio do Recife e no site Cinemascópio. Devido à carreira de seus curtas, Kleber viajou por vários festivais do mundo, colhendo depoimentos de personalidades internacionais consagradas na área, tendo assim um material de ouro para compor um filme único. O resultado é um longa universal (realizado em várias línguas) e auto-reflexivo ao extremo, ideal para quem quiser pensar o cinema em si.

 

 

O DRAGÃO DA MALDADE CONTRA O SANTO GUERREIRO

De Glauber Rocha

Clássico incontestável do cinema brasileiro, realizado em 1969 pelo mais importante cineasta do País. Em sua curta trajetória de vida, Glauber Rocha (1939-1980) conseguiu incendiar a sétima arte nacional sendo o principal articulador do movimento Cinema Novo e o Brasil nunca mais foi o mesmo. “O Dragão da Maldade...” foi seu primeiro filme colorido, vindo imediatamente após a obra-prima “Terra em Transe”, o que gerou toda uma expectativa em seu entorno – até porque o cineasta retomaria o personagem Antônio das Mortes, o matador de cangaceiros de seu primeiro grande filme, “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. Glauber acabou levando a melhor, ganhando o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes.

 

 

A ENCARNAÇÃO DO DEMÔNIO

De José Mojica Marins

“VOCÊ! Vai ler este filme e nunca mais será o mesmo...”. Esta praga, que imita as de Zé do Caixão, é a mais pura verdade. Afinal, foram necessários mais de 40 anos para que o cineasta José Mojica Marins pudesse realizar “A Encarnação do Demônio”, conclusão da trilogia planejada para o seu personagem. Na década de 60, ele fez os dois primeiros filmes do Zé, onde era evidente seu talento: com pouquíssimos recursos, esbanjava domínio narrativo e criatividade na fotografia, montagem etc. O próprio Zé do Caixão é um ser único na mitologia do horror: além de ter unhas enormes muito antes de Fred Krugger, é um vilão totalmente de carne e osso, monstruoso justamente por negar Deus e todas as crendices afins. Ele crê apenas na continuidade de seu sangue; daí a sua procura incessante em busca da mulher ideal. E valeu a pena esperar: “A Encarnação...” é um dos filmes brasileiros mais impactantes dos últimos tempos, que surpreendeu até seus fãs mais incondicionais. Pela primeira vez o cara teve grana de sobra para realizar o que queria – o filme abre até com a vinheta 20th Century Fox! – e com direito a atores ótimos. Porém, um aviso: as cenas são fortíssimas e a narrativa tem um “pique” de horror digno de qualquer jovem em início de carreira. E o espectador maranhense terá o privilégio de ter seus olhos torturados.

 

 

MEU NOME É DINDI

De Bruno Safadi

“Meu Nome é Dindi”, como o nome já diz, conta a história de Dindi (Djin Sganzerla), dona de uma tradicional quitanda, A Bananeira, que há 50 anos luta pra continuar aberta, contra a desleal concorrência das grandes cadeias de supermercado do Rio. Para isso ela pega empréstimos com agiotas e depois passa a correr risco de vida, porque não consegue pagá-los. Primeiro longa-metragem do jovem Bruno Safadi, que há um tempo estava na estrada com vários curtas-metragens. “É um filme de resistência, afirmativo. É um trabalho reflexivo sobre o que foi e o que é o cinema brasileiro. É um filme atual e tardio, atual porque ele estuda a encruzilhada entre o que seria uma tradição do cinema moderno e a possibilidade de um cinema de invenção novo e contemporâneo, tardio porque ele vem acertar as contas agora com esse cinema realizado entre as décadas de 70 e 80, entre a Belair e o início da era Collor” (Francis Vogner dos Reis, Cinética).

 

 

 

TV MORRINHO – DEUS SABE TUDO, MAS NÃO É X9

De Bruno Gavião

A TV Morrinho é uma prova concreta de como a arte pode transformar vidas. E tudo começou com uma brincadeira. Sabe quando criança mexe em carrinhos e em bonecos para simular uma história? Pois é, os meninos da comunidade Vila Pereira da Silva, o Pereirão (RJ), levaram isto às últimas conseqüências, construindo uma réplica da favela em que moravam. Tudo era coisa de criança até um dia chegar ao local os diretores Fábio Gavião, Marco Oliveira e Francisco Franca, que convidaram os garotos a filmar o que faziam. Desta bem sucedida iniciativa, diversos vídeos surgiram, além da criação da ONG Morrinho e de inúmeras apresentações no exterior. Esta trajetória maravilhosa pode ser conferida na sessão de curtas da produtora e no documentário “TV Morrinho – Deus Sabe Tudo, mas  não é X9”, longa praticamente ainda inédito no Brasil inteiro.



 
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