A diversidade do cinema nacional está aqui!
Festival - 01.12.2009
Como não poderia deixar de ser, o Maranhão na Tela oferece em São Luís o que há de mais interessante na produção brasileira da atualidade, exibindo filmes nacionais inéditos no estado. Nossa finalidade é não só entreter com qualidade, como também mostrar que o cinema alternativo do país consegue ser inventivo, mesmo tendo que “se virar” em termos orçamentais.
A principal prova disso é “Apenas o Fim”, de Matheus Souza. Realizado com uma minguada cifra da ordem de R$ 6 mil, o filme é uma poética e extensa DR (a famosa “Discussão de Relação”) entre um casal jovem. O bom texto e a ótima interpretação dos atores - destaque para Gregório Duvivier, que vem a São Luís apresentar o filme - seguram a empreitada até o fim. O filme é a estréia de um diretor de 20 anos – logo um longa! – e foi todo realizado entre amigos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC-Rio.
Numa linha bem semelhante, “Vida de Balconista”, de Cavi Borges e Pedro Monteiro, foi também realizado com pouquíssima grana. O longa, todo gravado numa única noite, mosta um atendente de locadora de filmes enfrentando uma série de clientes malucos. O protagonista é o então iniciante Mateus Solano, atualmente no ar na novela “Viver a Vida”, da Rede Globo. Vale lembrar que muito do conteúdo é autobiográfico, pois o agitador carioca Cavi tem uma das locadoras mais conceituadas do Rio, a Cavídeo.
Se os dois longas citados agradarão os jovens, os demais se voltam mais para o público adulto. “Saens Peña”, de Vinícius Reis, remete em seu título a uma famosa praça da Tijuca, bairro tradicional da Zona Norte do Rio. A história gira em torno da dedicação de um professor a escrever um livro sobre a região, o que lhe causa alguns transtornos familiares. Vale dizer que o diretor Vinícius foi o professor do curso de direção do Maranhão na Tela de 2008 e muitos alunos ficaram curiosos de ver algum trabalho seu. Ainda numa linha séria e também tratando de relacionamentos, “Um Romance de Geração”, do cineasta e crítico David França Mendes, aborda um escritor que não escreve há anos. Baseado no livro de Sérgio Sant’Anna, o filme possui um caráter metalingüístico, revelando também ao espectador como foram os ensaios.
Fechando a seleção, vemos a arrasadora interpretação de Leandra Leal em “Nome Próprio” na pele de Camila, escritora e “blogueira” que não tem pudores em escancarar sua vida boêmia e seus amores / desamores. Baseado nos escritos de Clarah Averbuck, o filme revela o drama vividos por muitos jovens da cidade grande e foi dirigido pelo veterano Murillo Salles.
Esperamos que gostem da programação e que todos percebam que com criatividade e talento se pode fazer um filme de qualidade. Ah, sim, e não percam também a mostra do diretor Domingos de Oliveira, que virou uma referência em produções de baixo orçamento! Bem como os documentários musicais! E os curtas! Fiquem à vontade e com entrada franca!

