A vida como ela é (numa locadora muito louca)

Festival - 17.11.2009

       Pelo terceiro ano consecutivo, o agitador cultural Carlos Vinícius Borges, o Cavi, se fará presente no Maranhão na Tela. A primeira edição do Festival contou com a exibição de seu longa-metragem documental L.A.P.A, que retrata o berço do Hip Hop carioca. Em 2008, foi a vez da Mostra Cavídeo, sessão que reuniu os melhores curtas-metragens do catálogo de sua produtora. Neste ano, é a vez de conferir o primeiro longa-metragem de ficção do rapaz, “Vida de Balconista”, co-dirigido pelo ator Pedro Monteiro e lançamento fresquíssimo do circuito nacional.
 
       Vale a pena entender melhor a trajetória do intrépido Cavi: sua carreira cinematográfica começou quando ele abriu a locadora Cavídeo que, em pouco tempo, se tornou uma referência no Rio de Janeiro devido à raridade e à qualidade de seu acervo. Não contente com o feito, o cara quis então fazer seus próprios filmes, dando início a uma carreira bastante premiada.

       A experiência como atendente lhe dera inspiração suficiente para gerar mil histórias. Com isso na cabeça, Cavi realizou o vídeo "Mateus, o balconista" quando a diretora Rosane Svartman o convidou para a série “Humanóides”. O sucesso veio logo e o personagem bombou, sendo o mais acessado da série. Animados, os diretores decidiram fazer outras duas temporadas com cerca de 40 capítulos de até 8 minutos. Quando veio a encomenda da quarta temporada, estavam todos meio de “saco cheio”, segundo as palavras do próprio diretor: “Tive a idéia de fazer um filme com os mesmos personagens, já que os atores já dominavam seus papéis. Seria o primeiro longa-metragem a ser exibido nos celulares”, declarou. A OI bancou a idéia.
 
       Mas não foi fácil. O dinheiro era pouquíssimo (apenas R$ 2 mil) e os atores da série começaram a despontar na TV e no teatro, não tendo muita disponibilidade de tempo. Mateus Solano, logo o protagonista, começou a filmar a série “Maysa”, que faria um sucesso estrondoso pouco tempo depois.

       O jeito foi filmar tudo em uma só noite, fazendo tudo de uma vez. Os atores nem sabiam que estavam envolvidos num filme, pensavam que ainda se tratava de uma série. Aliás, nem os diretores tinham a certeza de que teriam um filme de fato. Mas deu tudo certo. Prova disso é que o longa foi selecionado para o disputadíssimo Festival do Rio, um dos principais eventos de cinema do país.

       E agora o espectador maranhense terá a oportunidade de ver como um filme feito na garra, com pouquíssimos recursos, pode ser, no mínimo, uma diversão garantida.