Domingos de Oliveira - um cineasta de "BOAA"

Festival - 26.08.2009

Poucas pessoas sabem, mas o cinema nacional tem uma vasta gama de opções estilísticas para satisfazer todos os gostos. Para os que o conhecem melhor, temos as chanchadas da Atlântida, o politizado Cinema Novo, o anárquico Cinema Marginal, as apimentadas pornochanchadas e o cinema mais atual, da fase conhecida como “Retomada”. Mas no meio de tudo isso, há cineastas únicos que fogem de qualquer padrão. Domingos de Oliveira orgulhosamente é um deles.

Tendo sido um (quase) fruto do Cinema Novo dos anos 1960, Domingos nunca foi 100% aceito no movimento por propor um cinema mais típico da Zona Sul carioca, área nobre do Rio de Janeiro. Mas foi neste período, mais precisamente em 1966, que fez sua primeira obra-prima, “Todas as Mulheres do Mundo”, provavelmente o melhor filme da breve carreira de Leila Diniz. E desde já o autor mostrava seu talento inegável para direção de atores e diálogos, com um conteúdo muito diferente de similares “pesadões” europeus. Aqui, a leveza sempre foi o parâmetro, mesmo tendo que falar de assuntos espinhosos como a separação e a morte. E, quanto aos cinema-novistas, Domingos provou que, nas suas estrelinhas, poderia ser tão revolucionário ou politizado quanto o membro mais radical do movimento.

O tempo passou e Domingos se demonstrou mais ativo do que nos efervescentes anos 60. Aos 70 anos de idade, chegou a publicar um manifesto verdadeiramente revolucionário, o “BOAA” (Baixo Orçamento e Alto Astral), uma espécie de cartilha de como fazer filmes sem ficar na dependência patriarcal do Estado. Tudo porque o artista, por estar atento ao que passa no mundo, notou que as novas tecnologias digitais são mais do que suficientes para que ele possa desenvolver suas idéias. Ou seja, o Domingos de Oliveira é a cara do MARANHÃO NA TELA!

Para entender melhor o universo de tal cativante figura, exibiremos, além do citado “Todas as Mulheres do Mundo”, três de suas mais recentes obras, todas feitas sob a luz do “BOAA”: “Carreiras”, “Juventude” e “Todo mundo tem problemas sexuais”. E, ainda, uma boa introdução aos não iniciados: o documentário “Domingos”, de Maria Ribeiro, que, por sinal, foi atriz de alguns filmes dele. Aliás, foi justamente por essa experiência que Maria resolveu alardear o que esse homem tem de interessante a dizer. Confira!