E isso é apenas o começo...
Festival - 10.09.2009
O século e o milênio viraram e, com eles, muitas coisas mudaram de figura. Nunca foi tão acessível fazer cinema como é, hoje, graças às mídias digitais. O Youtube é um ótimo exemplo do que é possível fazer com uma simples câmera de celular. No entanto, poucos se aventuraram na possibilidade de fazer um longa-metragem com pouquíssima – ou nenhuma – grana. E os poucos que tentaram raramente conseguiram resultados satisfatórios.
Felizmente esse não foi o caso de Matheus Souza. Com apenas 20 anos de idade e o dinheiro adquirido através de uma rifa, ele conseguiu um feito raro: realizou um longa-metragem que estreou em circuito comercial e, ainda, ganhou prêmios no Festival do Rio e na Mostra de São Paulo. Mas isso não foi à toa: com uma idéia na cabeça, uma câmera na mão, um roteiro bem articulado e dois atores excelentes (destaque para Gregório Duvivier), "Apenas o fim" prende o espectador e pode agradar a todo tipo de platéia.
A história é o que menos importa, mas eis a sinopse: apressado a caminho de uma prova da faculdade, rapaz é obrigado a conversar com sua namorada, que decidiu sair da cidade sem lhe revelar o destino. Mas isso é só um pretexto para acompanharmos uma ampla "D.R." (Discussão de Relação) – ora divertida, ora dramática, ora romântica e por aí vai. A estrutura do filme lembra muito a do "Antes do Entardecer", com Ethan Hawke e Julie Delpy, que se passa todo em tempo real (apesar de Matheus ter intercalado a trama com flash-backs em preto-e-branco). E, nos diálogos, um emaranhado de cultura pop que mistura Bergman, Transformers, Godard, Mac Donald, Tamagoshi, Chico Buarque e muitos outros nomes conhecidos.
Ou seja, Matheus fez o que as novas gerações deveriam ter feito há muito tempo: um filme simples, eficiente e com a sua cara. Nada de ficar choramingando apoio de editais, por mais importante que seja este tipo de iniciativa governamental. O jovem escancara que atualmente é possível se expressar no audiovisual. Dependendo do projeto, o negócio é correr atrás do seu sonho. E é por isso que “Apenas o Fim” foi selecionado para o Festival Maranhão na Tela 2009: para que o espectador maranhense note o quanto é viável fazer bons longas-metragens (comercialmente falando, inclusive) com pouca verba e muita criatividade!

