Próxima parada: Praça Saens Peña
Festival - 29.10.2009
A cidade do Rio de Janeiro já foi exaustivamente retratada em verso e em prosa. Obviamente, duas tendências chamaram maior atenção dos poetas, trovadores e afins: as belezas naturais - principalmente o litoral (Copacabana e Ipanema no top 10) - e a favela (numa tradição vinda desde "Rio 40 Graus", feito por Nelson Pereira dos Santos em 1955, passando pelos conhecidos "Cidade de Deus" e "Tropa de Elite"). Mas como ficam os outros lugares?
Para que o espectador maranhense entenda melhor o filme "Praça Saens Peña", de Vinícius Reis (que ministrou o curso de direção no Projeto Maranhão na Tela 2008), é necessária aqui uma explicação. O local-título situa-se na Tijuca, um dos bairros mais tradicionais da cidade e um dos primeiros da Zona Norte (que não tem praia) logo após o Centro. A Tijuca possui um caráter conservador, pois o local abriga o Instituto de Educação e o Colégio Militar.
Porém, tal bairro tem seus méritos inegáveis. Lá que foi o berço da Jovem Guarda, onde, na esquina da Rua do Matoso com a Haddock Lobo, reuniam-se simplesmente Erasmo, Roberto e Tim Maia, tendo ainda a presença eventual de Jorge Ben. A Vila Isabel de Noel e de Martinho fazem parte do que é chamado de "Grande Tijuca", que aglomera uma série de pequenos bairros periféricos. E assim vai. Tudo isso e mais um pouco é narrado neste primeiro longa-metragem de ficção de Vinícius Reis, que antes era mais conhecido por sua veia documentarista.
Com uma trama simples, vemos as desventuras do professor tijucano Paulo Barbosa (Chico Diaz) que abraçou, com todas as forças, a oportunidade de escrever um livro sobre... a Tijuca, é claro. Ele faz das tripas coração para concluí-lo, o que traz uma série de entraves familiares com sua esposa (Maria Padilha) e sua rebelde e desbocada filha (Isabela Meireles).
Dessa forma, observamos o mosaico de referência que compuseram o bairro até 2003, ano da Guerra do Iraque e da posse de Lula. Em seu processo criativo para escrever o livro, Paulo relembra todos os aspectos da Tijuca, desde suas origens cafeeiras, passando pela contribuição ao samba, chegando finalmente à violência cotidiana. Por ser rodeada de morros, a Tijuca possui diversas favelas e, portanto, não se assustem com algumas perguntas feitas pelas personagens, tais como "aqui tem muito tiroteio?". Isso é algo comum por lá.
Vale dizer que o Maranhão na Tela sonha com o dia em que todos os recantos de São Luís e de outras localidades maranhenses sejam retratadas em uma infinidade de filmes, como o que acontece no Rio de Janeiro. Que "Praça Saens Peña" sirva de inspiração!