Titãs - a vida até parece uma festa

Festival - 22.10.2009

A edição no cinema, ou “montagem” como se diz na cerimônia do Oscar, é uma arte em si. Há quem defenda que é mais importante do que a própria filmagem ou até mesmo que é o grande diferencial do cinema. E, no caso de um documentário, principalmente se o mesmo se valer basicamente de imagens de arquivo, a edição tem uma função ainda mais especial, pois ela é a responsável por unir diversos fragmentos cronológicos soltos para, no fim, montar um discurso específico.

O documentário sobre a popular banda paulistana Titãs comprova a tese acima e ainda nos faz refletir sobre vários outros aspectos. Afinal, o filme não só diverte e informa sobre a trajetória da banda, como também pode ser considerado um grande "exercício de desapego". Ou seja: como escolher ou jogar fora cerca de trinta anos de filmagens? Sim, pois além do grupo se apresentar diversas vezes na televisão, o vocalista Branco Mello registrou vários momentos de bastidores com suas câmeras caseiras. A tarefa de sintetizar todo num material de menos de duas horas ficou nas mãos de Oscar Rodrigues Alves que, junto com o citado Titã, assina a direção, o roteiro e a edição (notaram como estes dois últimos elementos se misturaram?).

E que edição! “Titãs – a Vida Até Parece Uma Festa” consegue a incrível proeza de narrar a trajetória da banda de uma forma dinâmica e sem se valer de narrador, cartelas explicativas ou mesmo entrevistas! (os depoimentos já tinham sido gravados para programas ou em conversas informais). Isto sem falar no resgate de raridades hilárias, como as do começo de carreira. Um bom exemplo é a apresentação de Tony Belloto, antes de entrar na banda, num concurso de calouros com uma canção meio hippie e ecológica.

O filme nos faz repensar a importância da televisão como registro audiovisual, pois programas então considerados descartáveis compõem algumas das melhores cenas do filme. É o que comprovam as divertidas participações do grupo no Chacrinha e, principalmente, no besteirol “Viva a Noite”, de Gugu Liberato, onde os Titãs foram chamados para resgatar uma fã das garras do Homem-Aranha (sic).

Por essas e outras, este documentário é imperdível – tanto para apreciadores, quanto para quem não liga para os caras. No mínimo, observamos a ascensão de nove pessoas bacanas em momentos divertidíssimos, sem nos esquecermos das tragédias - principalmente na parte dedicada à morte do guitarrista Marcelo Fromer. Afinal, nem tudo são flores - e só as de plástico não morrem.