Waldick Soriano - Sempre no meu coração

Festival - 17.09.2009

Um aspecto interessante que os freqüentadores do Festival Maranhão na Tela 2009 poderão observar é que vários artistas globais não se contentaram com o aparente patamar de estabilidade e fizeram o saudável exercício de testar novos ares. No campo da ficção, vemos atores consagrados como Selton Mello e Matheus Nachtergale dirigindo os ousados "Feliz Natal" e "A Festa da Menina Morta", respectivamente. Já no documentário, o “Casseta” Cláudio Manoel se lança como um dos diretores de “Simonal” e, talvez no caso mais surpreendente, Patrícia Pillar assina sozinha “Waldick Soriano – Sempre no meu coração”.

Cantor e compositor conhecido nacionalmente, no mínimo pelo sucesso do brega-standart “Eu Não Sou Cachorro Não”, Waldick Soriano (Caetité, 13 de maio de 1933 — Rio de Janeiro, 4 de setembro de 2008) tinha obviamente muita história para contar. Mas o pulo do gato de Patrícia foi não fazer uma biografia, embora provavelmente essa tenha sido sua idéia inicial.

Com a “sorte” (não é bem esse o termo, mas tudo bem) de filmar o cantor no fim de sua vida, o documentário acaba sendo um registro amargo das frustrações de uma pessoa em seus últimos dias, mesmo tendo tido uma trajetória de sucesso com direito a fama e mulheres.

Isso pode ser notado quando Waldick, aos 74 anos, confessa às câmeras que teve 14 esposas e nenhuma o completou. Junto à declaração empregada por sua apaixonada e última esposa, a tensão dramática / existencial do filme aumenta ainda mais. Outra cena bastante paradigmática é a do encontro com o filho em São Paulo, em que não se disfarça um constrangimento mútuo - embora não tenhamos pistas exatas do que ocorreu entre eles.
 
Mas o aspecto mais forte pelo qual a diretora merece ser parabenizada é o respeito extremo que ela reservou ao seu personagem. Por ser um cantor conhecido como brega, o filme poderia descambar para o deboche, o que não ocorre em momento algum.

Waldick se declara um poeta que registra o sentimento, o que o filme respeita sem qualquer objeção. E por que não seria? Fale qualquer coisa dos “bregas”, só não diga que eles não são sinceros em seus sentimentos. Afinal, o amor é brega. No bom sentido, é claro.